Domingo, 13 de Fevereiro de 2011

Viagem no dia dos namorados

Ele tinha acabado de se sentar em frente a uma visão. 
Aquela linda mulher, sentada a olhar pela janela no comboio, fez com que decidisse ficar por ali. Uma vez que a viagem seria longa e cheia de tédio, ao menos apreciava a paisagem, o decote, as pernas e aquele nariz arrebitado seriam o seu passatempo.
Ela sorriu-lhe, sentou-se direita, cruzou as pernas lentamente, encostou a cabeça ao vidro e olhou-o com luxúria e desejo, passou discretamente a mão pelo decote, ajeitou o casaco que vestia. Cada movimento que fazia era lento, suave e sensual. Aquele homem deixou-a inquieta, alto, lindíssimo, encorpado, desajeitado, com um olhar perdido e umas mãos grandes e fortes, ela suspirou e voltou a olhar pela janela para se distrair da presença dele.
Ele segui-a com o olhar, o que estaria por baixo daquelas meias roxas, apetecia-lhe arrancar cada botão daquele casaco, agarrar aquele cabelo longo, engoliu em seco, tinha que respirar fundo para não se entusiasmar em demasiado, já sentia o volume pélvico a aumentar e ainda agora se tinha sentado. Só se tinham passados dois minutos desde que viu aquela mulher, mas sabia que não acabaria a viagem sem ter a mão no meio das suas pernas.

Ela pelo reflexo do vidro percebeu  o efeito que estava a causar e isso divertia-a, como já não acontecia há algum tempo, tocou o seu telemóvel e atendeu-o com uma voz baixa e colocada:
"Olá agora não posso falar, estou.... ocupada."
Disse esta última palavra a olhar para ele com um sorriso e desligou o telemóvel.
Pedro viu ali uma janela de oportunidade de conversa:
- É uma grande mentirosa, está ocupada com o quê?
- Consigo. Estava-me a divertir a olhar para si.
- Comigo, porquê?
- Tem os botões da camisa mal apertados.

Corou e olhou para a sua camisa. Estava efectivamente com os botões todos mal apertados, arranjou-se sob o olhar dela de curiosidade. Perguntou-lhe:
- Já comprou a prenda para o seu namorado? Hoje é dia deles, é só corações por todo o lado.
- Deixei de acreditar nos namorados e no amor há muito tempo.
- Acredita em quê então?
- No desejo e no dinheiro. Em fazer o que quero e o que necessito. 
Põe-lhe a  mão na perna e aproxima-se dele e sussurra-lhe:
- Sabe o que precisava agora?
- De quê?
- De um café...
- Não seja por isso, mal a conheço mas faço tudo o que precisa querida mentirosa.
- Tudo, tudo não sei se fará. Não me chame querida.
- Mentirosa posso portanto - disse-lhe Pedro encantado por ela com um enorme sorriso nos lábios.
Levantam-se e dirigem-se até ao bar, de repente o comboio pára e ela desequilibra-se agarra-se à cintura dele, ele agarra-a com uma mão junto a si. Ela consegue sentir os seus abdominais sólidos, ele põe a mão no rabo dela, delineado e firme, abraça-a com um instinto protector, sentindo as mamas dela encostadas ao seu peito.
- Desculpe se o magoei, estou muito desastrada hoje.
- Não se preocupe que está tudo bem, ainda bem que não caiu.
Demoram alguns segundos a soltarem-se, com um jeito envergonhado sorriram e dirigiram-se para o bar.
Conversaram e tomaram café, todas as frases proferidas têm segundas intenções. Ele começou a mexer no relógio dela, a pôr-lhe a mão na perna, ela a fazer festas na barba.  Ela sorria e tentava resistir a experimentar aquele doce, mas começava a ser difícil.
De repente, levanta-se pega na fivela do cinto dele e diz simplesmente "Anda"
Ele segue-a sem ter percebido muito bem o que ela disse, nem para onde ia, ela continua a leva-lo pelo cinto como um verdadeiro cachorrinho sedento de sexo, vê que ninguém está a passar  no corredor e atira-o para a casa de banho e fecha a porta.

Ele agarra-a pela anca atira-a contra a parede, as pernas dela automáticamente ficam à volta dele, beijam-se furiosamente, roçam-se, ela sente-o cada vez mais duro e ela cada vez mais excitada.  Com agilidade retira da sua carteira um preservativo.
Começaram a bater à porta.
- Ainda demoro - replicou Pedro ofegante.

Virou-a contra o lavatório, desceu-lhe as meias, afastou a tanga. Ela desapertou-lhe os botões das calças dele e baixou-lhe os boxers, nesse momento pensou "Ele é tudo o que  queria naquele momento, grande  e grosso". Fodeu-a por trás, de forma energética e ritmada.  Pedro tapou-lhe a boca para não se ouvir os gemidos que se tornavam cada vez mais frenéticos e altos.
Ele de forma a prolongar aquele estado de quase orgasmo que Susana estava, brincou com ela. Fazia movimentos lentos e profundos que a estavam a enlouquecer. Ela gritou de prazer, ele veio-se pouco depois e olhou para ela, sorriu e disse-lhe:
- Realmente ocupei o teu tempo.
Ela beijou-o e trincou-lhe  o lábio ficando a sangrar, subiu as meias, desceu a saia. Deu um jeitinho ao cabelo e disse-lhe "Arranja-te que eu saio primeiro".

Pedro ficou algum tempo a olhar para o espelho, passou água pelo rosto, subiu as calças e saiu, não estava ninguém à porta, estava tudo com um ambiente calmo, só ele sorria como um menino a quem lhe deram um doce. 

Quando voltou para perto da linda mulher, ela estava exactamente com o mesmo olhar, o mesmo desejo, as mesmas pernas cruzadas e sorriu-lhe. Pedro perguntou-lhe:
- Posso ter o teu número, o teu mail, o teu facebook?
- Nunca mais nos vamos encontrar, nem te disse o meu nome, não te vou dar os meus contactos. Tudo é demasiado complicado para nos voltarmos a ver. Adorei ter-te, não quero saber o teu nome nem o teu número de telemóvel, há coisas que aprecio demais para as perder.

Pedro ficou sem saber o que dizer, nesse momento tocou o seu telemóvel, nem viu quem era, só lhe interessava aquele anjo/demónio que estava ao seu lado. Ficaram em silêncio a olhar para a janela sem verem uma única imagem da paisagem que voava ao ritmo dos carris transpostos. 
Anunciaram o fim da linha.

Levantaram-se, cruzaram o olhar e não conseguiram resistir. Deram um grande beijo antes de saírem do comboio, um daqueles beijos onde tudo se junta, as pernas se entrelaçam, as mãos tentam tocar em tudo para não perder aquela recordação, aquela sensação que estiveram juntos, aquele desejo saciado que mais parecia um sonho erótico. Um último abraço, um último beijo e o comboio pára.  Atravessam as portas separados, cruzam um último olhar e um último sorriso, sem proferirem nenhuma palavra. Sabiam perfeitamente que foi só uma vez e não se ia repetir, ela tinha deixado claro isso.

A respectiva de Pedro corre para ele, enche-o de beijos e perguntas sobre o lábio ferido, fazendo parecer a sua chegada um daqueles clichés de cinema.
Por outro lado, Susana vai ter com o namorado visivelmente mais velho dá-lhe um beijinho de praxe, desprovido de emoção e seguem para o carro. "Correu bem a viagem minha querida?",  "Foi agradável, um pouco cansativa" respondeu Susana com uma voz enfadada. Os dois casais saíram da estação em direcção aos respectivos restaurante para comemorarem o dia dos namorados, Susana acabaria por ser pedida em casameto nessa noite. Fingiu perfeitamente a sua felicidade, tal como fingia os orgasmos com o noivo, tudo em nome da qualidade de vida.

Ela só se voltou a encontrar com Pedro anos mais tarde, contudo nenhum dos dois se esqueceu daquela viagem e da forma que esta afectou as suas relações.

6 devaneios:

SuperSónica disse...

Adorei...

Loira disse...

Supersónica:
Obrigada. :)

Pestinha disse...

Loira, amei a história, parece que estava lá com eles no comboio... Muito bem construida e estruturada, continua com essa "escrita light muito fraquinha"!!!

Big Kiss**

Loira disse...

Pestinha:
Obrigada!! :)
Ainda deu um bocado de trabalho a escrever.

Beijinhos*

Kat disse...

fiquei coladíssima nesta estória! Fantastica escrita!
Parabéns!

Loira disse...

Kat:
Obrigada! :)