Quinta-feira, 9 de Abril de 2009

Sapatos vermelhos II

Encontraram-se à porta do restaurante do rio, ele deu-lhe um beijo no pescoço, o aroma a baunilha que ela tinha prolongou aquele beijo até ela se afastar.
Sentaram-se à janela, numa mesa para dois, estavam envergonhados mas ao mesmo tempo felizes por ali estar.
Começaram com as entradas, camarão grelhado acompanhado por um escorregadio vinho branco...
Copo depois de copo com pouco alimento no estômago, ela ia-se soltando, talvez pelo nervosismo ia cada vez bebendo mais. Ele estranhou a atitude, ela não bebe assim tanto pensou ele.
Ria-se alto, falava alto, roçava a perna na dele, toda a gente no restaurante olhava. Ele começava-se a preocupar.
No final das entradas ela disse que ia a casa de banho refrescar-se. Já não se conseguia levantar. Ele sóbrio e preocupado, tentou ajuda-la e levou-a do restaurante, para não haver problemas maiores.
Ela começou-se a atirar a ele, ele a esquivar-se dos avanços ébrios dela. Ela tropeçou e caiu no meio da rua, partiu o salto do sapato vermelho e começou a chorar.
Chorava pelo salto partido, chorava pelas cenas que estava a fazer, chorava por não lhe conseguir provar o que era realmente.
Ele não sabia o que fazer, por instinto abraçou-a, pegou nela ao colo e levou-a para um táxi. Ela pediu para a levar para casa, ele acedeu à sua vontade.
Ele com o bom senso que o caracterizava não a deixou sozinha, levou-a, subiu os três andares do prédio dela a pé, com ela nos braços e nunca a deixou sozinha. Foi com ela para a casa de banho, segurou-lhe o cabelo enquanto ela vomitava, ela acabou por sujar o vestido...
Sentada no chão da casa de banho ela voltou a chorar pelo vestido sujo. Ele tirou a tshirt, mandou-a vesti-la "Vês assim já não estás suja!"e sorriu-lhe.
Ela conseguiu acalmar com esta atitude, entretanto ele arrastou-a e levou-a para a cama. Ela adormeceu imediatamente e ele ali ficou com ar de estúpido a olhar para aquela situação irreal. A olhar para o monte de roupa espalhado no quarto, a foto das amigas, dos pais, das viagens. Pensou como é que é possível isto ter corrido tão mal, como é que ela se deixou ficar assim! Deitou-se por momentos ao lado dela, abraçou-a e deu-lhe um beijo na testa, deu-lhe um beijo na boca, passou a mão por todo o corpo dela, já tinha a mão no meio das pernas dela. Nesse instante pensou "É demasiado fácil assim" teve pena daquela criatura que cheirava a vinho, afastou-se, controlou o desejo, olhou para o tecto e acabou por adormecer...

Ela apenas se lembrava da primeira parte da noite, até atingir os 6 copos de vinho, a parte perfeita. Levantou-se e pensou "Ele acabou por vir cá dormir, correu mesmo bem a noite!" Ele acordou enquanto ela estava no banho e saiu dali. Não sabia o que lhe dizer, entrou em pânico e fugiu...

Nunca mais quis falar com ela. Apesar de não ter acontecido nada, teve vergonha de a ter visto num momento frágil, foi demais para ele e sentia-se mal quando a via, recordava-se sempre de ela no meio da rua a chorar pelo salto partido e ainda sentia o cheiro a vinho branco nos seus lábios.
Ela nunca percebeu o que aconteceu, teve vergonha de não se lembrar da noite e nunca lhe quis perguntar. Nunca mais discutiram, nunca mais quiseram conversar, nunca mais olharam para as estrelas, apenas existia um enorme elefante branco no meio deles.
O que poderia ter sido maravilhoso, foi apenas o oposto de uma noite perfeita.

11 devaneios:

margarida disse...

Ohhh........fiquei triste... escreve mais, escreve mais e faz um final feliz!!!
Coitadas das mulheres k bebem demais....;(

Carla disse...

:( não gostei da segunda parte...afinal a rapariga que aparentava ser tão "dona de si" deixa-se ficar assim logo nas entradas!

trengo disse...

bem...k mudança súbita na historia :O ...a mulher é uma fraquinha porra...

"É demasiado fácil assim" pois...não há desafio...perdesse o interesse...

Cumps

loira disse...

Simplesmente quis tornar a história mais real... Espero que tenham gostado da reviravolta!

Blondie disse...

é por isso que nunca apanhei uma bebedeira!!Não gosto de perder a consciência de mim e não confio o suficiente nos outros para entregar-lhes tamanha responsabilidade de tomar conta de mim quando estou mais vulnerável! Gosto de estar sempre alerta de tudo!

shadow disse...

pois...identifico-me com a Blondie. quero saber tudo o que aconteceu.

Gi disse...

Estou com a Blondie!kiss

"De uma Loira" disse...

Todos temos o nosso lado vulnerável; por muito que mostremos que somos forte e que nada nos derruba, seremos eternos fracos pelos vários medos que nos atormentam. Tentamos esconder aquilo que somos, por muito que o neguemos.
Realmente é uma boa história que aqui escreves-te, e demonstra bem aquilo o que acontece quando mostramos toda a nossa fragilidade, assustamos quem nos é próximo! O rapaz soube lidar com a situação no momento, mas não se dispôs a voltar a ver a fragilidade da rapariga.Talvez porque ver a fraqueza dela lhe lembre que também ele é atingível e mortal.
Raros são aqueles que enfrentam e aceitam as suas fragilidades e as dos outros.
Com medo de conhecer mais o lado "mortal" dela, acabou também por possivelmente perder o melhor. Quando se desiste de algo, não evitamos só a possibilidade de Perder mas tanto a possibilidade de Ganhar!

Bjss
(Adorei a história, e da visão realista que aqui colocas-te, e não a fantasia que desejávamos ler.)

Blondie disse...

Eu lido muito bem com as fragilidades dos outros porque acciona o meu lado maternal!O mesmo não acontece com as minhas fragilidades...muito poucos as conhecem!

branca disse...

Shadow...tu tens coragem de dizer k nunca ficaste "tola" com o alcool...????
OLha que "EU CONHECO-TE!!!!"Lool

trengo disse...

Eu nunca me cheguei a embebedar ao pto de cair pro lado...alias kual é a piada disso?...enfim...há limites para tudo...quando vejo que o álcool já ta a "trepar" demasiado fecho a loja...pk eu tb quero tar consciente das coisas que faço e não fazer figuras tristes...
beber pa ficar alegre inda vá cm vá...agr pa tombar pro lado NÃO!

Cumps