Quinta-feira, 16 de Abril de 2009

Ana I

Sozinha sentada na paragem do autocarro com a sua gabardina caqui gasta pelo tempo, oculta o seu passado, oculta o seu presente. A sua profissão, tão digna como outra qualquer, mostra-se na sua maquilhagem, sombra dourada carregada que salienta os seus grandes olhos verdes, batôm vermelho gasto a combinar com as unhas. É prostituta, com muito orgulho, mas tem um objectivo- está a pagar as propinas para acabar a faculdade e ir trabalhar para um hospital.
Um homem pára o seu carro em frente a esta personagem. Como te chamas, pergunta ele.
"Sou a Ana e o que desejas?"
Quero 1hora contigo, simplesmente uma queca de uma hora, nada mais, diz o homem. O chulo dela não estava ali, mas ela sentiu confiança nele e foi, aquele dinheiro sempre dava para um vestido novo.
Chegaram ao motel recomendado por ela, entraram no quarto que ela tão bem conhecia.
Impôs as suas condições, eram 200 euros a foda, pagos antes de fazerem alguma coisa. Se quisesse serviços extra pagava.
Ele concordou, disse que não queria mais nada. Pagou e despiram-se profissionalmente, ele agarrou-a e por trás começou o serviço. Imparável, insaciável, continuaram exactamente 50 minutos ele não ejaculou. Frustrado de não conseguir acabar o serviço, começa a esgana-la lentamente, a chama-la de puta vadia, insulta-la de tudo. Ela berrou que não queria, para parar! Ele continuava...
Ela com os conhecimentos de Medicina que tinha, andava sempre com uma seringa de potássio na bolsa, fazia com que esta ficasse sempre ao lado da cama. Tinha apenas que se esticar um pouco para lá chegar, faltava só um bocadinho....


Saiu do motel com a marca no pescoço, colocou as golas da gabardina para cima e foi para casa tinha que ir ter com o namorado de manhã cedo e já estava atrasada.
O namorado julgava que ela estava a tomar conta de idosos à noite daí as suas frequentes ausências. Realmente no inicio era isso que fazia, mas começou a ganhar mais dinheiro na área do sexo, e nunca lhe disse que tinha mudado de ramo.
Tomou banho, tinha essa necessidade sempre que vinha do trabalho, para lavar a alma dos pecados da noite. Vestiu-se, pôs um lenço para disfarçar as marcas no pescoço.
Foi ter com o namorado, ele disse que ela estava com mau ar nesse dia, ela respondeu que tinha tido uma noite agitada, tinha dormido pouco e mudou de assunto.
Quando chegaram à pastelaria do costume, vinha no jornal - POLÍCIA MORTO- Continuação de mortes no Motel.
Ela entrou em pânico! Nunca tinha morto um polícia!

3 devaneios:

Carla disse...

nunca tinha morto....um polícia!!! :S

e esta história não tem continuação?

Bj*

loira disse...

A continuação está em cima. :P

margarida disse...

Adorei!!! essa Ana dos olhos verdes tem muito pra contar.......:P